O FANIQUITO


UM CREME CONTRA A HUMANIDADE!!!

 

Estou aqui, pobre SERA HUMANA, comum e mortal, olhando para uma LATA DE CHOCOLATES SUÍÇOS que a minha amiga Stela Alves Dohle me trouxe da Alemanha... Um verdadeiro CREME CONTRA A HUMANIDADE!!! E ela ainda se diz minha amiga!!!

Após meditar muito acerca da minha MAGREZA ESPIRITUAL, entrei em contato com o meu ser MAGRO INTERIOR que se atirou com unhas e dentes no chocolate... Já tou até balindo em “romanche*” como uma cabra nos Alpes... bééééééé...

Sem culpa. Segundo a minha terapeuta e ialorixá Arnild Van de Veld, vulgo Moeder Nil de Eibergen (pronuncia-se Múda Nil de Ai-berguen em holandês)... Pois é, segundo ela, o que engorda é a culpa! Ela discorda do princípio de que ser gordo é sinônimo de ser guloso. Eu acho que todo gordo é guloso, mas nem todo guloso é gordo! Vejam o meu caso, por exemplo que sou MAGRA por que tenho GENES MAGROS... Recessivos, mas MAGROS.

O pior é que se eu continuar assim vou ficar igual a uma criatura que encontrei outro dia numa festa. Tava tão esticada de plástica que eu nem a reconheci. Meu HD cerebral demorou uns cinco segundos para decifrar quem era ela. Pensei até que tava com Alzheimer! Ela me cumprimentou calorosamente e só depois que comecei a falar com ela foi que me dei conta de quem era... Fiquei PASSADA! Tava mais jovem que eu, mas tinha uma expressão estranha... Parecia a avó do Chuck, o brinquedo assassino! CREDO!!!

O mais CHOCANTE foi constatar que a dita cuja não tinha mais UMBIGO!!! Descobri sem querer, JURO! É que ela tava com uma calça de cintura baixa (daquelas que preservam nossos pneuzinhos) e um top curtíssimo. Daí, quando meus olhos foram escaneando aquela criatura quase cibernética pararam no local aonde  tecnicamente deveria situar-se o seu umbigo. Mas ele NÃO ESTAVA LÁ!  Não havia nada ali. O abdomen tava tão lisinho que nem o UMBIGO foi localizado!

Acho melhor parar de comer esse chocolate, senão vou ter começar a ter VISAGEM! Ai que MEDA!

FUI!

 

* romanche - dialeto antigo falado na Suíça



Escrito por stemporal às 18h07
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RITOS DE PASSAGEM

Ir à praia, molhar os pés na água, pular sete ondas de costas, comer lentilhas, chupar romã ou uva e guardar os caroços na carteira junto com folha de louro na carteira, tomar banhos: de sal grosso (pra espantar o mau olhado), de cravos (da índia) e folhas de louro (pra dizer "xô" ao baixo astral)... Com rosas brancas e alfazema (para trazer harmonia, paz e amor)...  Se depender de cumprir todos esses rituais pra ter sorte em 2005, tou lascada!

Passei a virada do ano numa boa! Curtindo com a família e os amigos, mas não cumpri nenhum desses ritos. Na verdade, na hora da virada estava no banheiro... Ainda bem que não era dor de barriga! Estava colocando o absorvente! Porque a dita “cuja mensal” resolveu chegar bem na hora da virada, manchando de vermelho o meu modelito branco! Será que isto quer dizer alguma coisa? Dizem que a gente passa o resto do ano fazendo aquilo se que faz à meia noite do dia 31. Mas isso eu já faço mesmo, pelo menos uma vez no mês. Penso que o fato DELA ter chegado na hora da virada não fará muita alteração na minha vida, né não? Ah! Já sei: a menopausa não vai chegar em 2005!

Passado esse ligeiro contratempo, retornei à sala para brindar com minha família e meus amigos... Que importa se eu não fiz promessas, se eu não cumpri os ritos? O mais importante é que eu começo o ano com a mesma vontade de viver!

Só falta ficar famosa...

Vou ali fazer um 31 pra ver se entro no BIG BROTHER...

VOLTO NESTANTINHO!



Escrito por stemporal às 12h47
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Na minha primeira blogada do ano, não vou escrever nada. Mas transcrever um texto de alguém que sabe muito mais do que eu do ofício de escrever...

 

PASSOU

  

         O ano passou. Não sei se vós, leitor amigo, ou vós, distinta leitora, o passastes bem. Eu, como já passei muitos, os tenho passado de todo jeito, e ainda hoje esse segundo que vem depois da meia-noite me perturba. Já passei ano só, em terra estranha, ou, o que é mais amargo, na minha; ou andando como um tonto na rua ou afundado num canto de um bar ruidoso; tentando inutilmente telefonar; dormindo; com dor de dente. E quando digo de todo jeito estou dizendo também de jeito feliz, entre gente irmã ou nos braços de algum amor eterno – braços que depois dobraram a esquina do mês e da vida, e se foram, oh! provavelmente sem sequer a mais leve mágoa nos cotovelos, apenas indo para outros braços.

         Passam os anos, passam os braços; mas fica sempre, quando a terra dá outra volta em si mesma, essa emoção confusa de um instante. Conheço pessoas que fogem a esse segundo de consciência cósmica, afetando indiferença, indo dormir cedo – como se não estivessem interessadas em saber se esta piorra velha deste planeta resolveu continuar girando ou não. É singular que entre tantas festas religiosas e cívicas nenhuma chegue a ser tão emocionante e perturbe tanto a humanidade como esta, que é a Festa do Tempo. É como se todos estivéssemos fazendo anos juntos; é o Aniversário da Terra.

         Se a alma estremece diante do Destino, o espírito se confunde; reina uma tendência à filosofia barata; vejam como eu começo a escrever algumas palavras com maiúsculas, eu que levo o ano inteiro proseando em tom menor, e mesmo o nome de Deus só escrevo assim para não aborrecer os outros, ou para que eles me não aborreçam.

         Já ao nome do diabo, não; a esse sempre dei, e dou, o “d” pequeno, que outra coisa não merece a sua danação. A ele encomendamos o ano que passou e a Deus o Novo. Que vá com maiúscula também, esse Novo; fica mais bonito, e levanta nosso moral.

         E se entre meus leitores há alguma pessoa que na passagem do ano teve apenas um amargo encontro consigo mesmo, e viveu esse instante na solidão, na tristeza, na desesperança, no sofrimento, ou apenas no odioso tédio, que a esse alguém me seja permitido dizer: “Vinde. Vamos tocar janeiro, vamos por fevereiro e março e abril e maio, e tudo que vier; durante o ano a gente o esquece, e se esquece; é menos mal. E às vezes, ao dobrar uma semana ou quinzena, às vezes dá uma aragem. Dá, sim; dá, e com sombra e água fresca. E quem vo-lo diz é quem já pegou muito no sol nos desertos e muito mormaço nas charnecas da existência. Coragem, a Terra está rodando; vosso mal terá cura. E se não tiver, refleti que no fim todos passam e tudo passa; o fim é um grande sossego e um imenso perdão.”

 

Rio, janeiro de 1952

 

 Rubem Braga

em A borboleta amarela

Texto enviado para mim pelo meu amigo Carlos Ribeiro, jornalista e escritor.



Escrito por stemporal às 21h52
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